Partilhar Lisboa

Setembro 12 2006
Mas que raio ... ouvi que foi lançada uma linha SOS para professores agredidos por alunos e familiares ... mas quando é que chegámos a isto?? Que raio de sociedade é esta em que o  professores precisam de linhas SOS??? Claro que também nunca concordei com os abusos fisicos que os professores aplicavam aos alunos noutros tempos.
Tive muitos professores ao longo dos anos, alguns marcaram-me para o bem e para o mal e outros há de quem já nem me recordo, mas esta história fez-me lembrar a D. Laura, a minha professora primária - sim eu sou do tempo em que havia primária - durante 4 anos, da 1ª à 4ª classe, a D. Laura fez parte de todos os meus dias e era uma professora à antiga, sempre de bata impecavelmente branca, os cabelos já grisalhos apanhados num carrapito e os oculos aninhados na ponta do nariz ... não me recordo nunca de a ter visto dar nem uma sacudidela de mosca em algum colega, nem sequer levantava muito a voz, impunha o respeito com a sua postura e porque nos respeitava ... lembro-me que se nos sentiamos mal ou se nos aleijavamos ele nos dava colo e que o abraço dela cheirava a giz :)
Costumava "puxar" a orelha a quem não prestava atenção, no fundo era quase um carinho, pois ela não puxava propriamente, mas sim segurava-nos a orelha para nos chamar à atenção ... isto acontecia-me com muita frequencia pois já nessa altura eu tinha um grande desejo de comunicar - a D. Laura chamava-lhe tagarelar. Tinha também um "ponteiro" de madeira em cima da mesa que usava para apontar e assustar ... falo por mim quando digo que apanhava cada susto de cada vez que estava em animada converseta com a vizinha de trás e ouvia em simultaneo um BAMMMMMM (o ponteiro a bater na mesa) e "Ana Sofia o quadro é aqui à frente!".
Desesperava-a o facto de eu não saber a tabuada ... todos os dias eu ia para o canto com a tabuada do ratinho e ficava lá horas na lengalenga ... quatro vezes um quatro, quatro vezes dois oito, quatro vezes três doze ... no dia seguinte no inicio da manhã quando me perguntava novamente a tabuada eu já não a sabia de cor ... acho que se sossegou no dia em que me perguntou quanto era sete vezes seis e eu respondi "se sete vezes cinco são quarenta com mais sete são quarenta e sete" acho que viu que eu chegava lá mas por outro caminho, ainda hoje uso muito a soma para fazer multiplicações (o que conta é o resultado final) e sempre me fui safando a matemática até chegar ao 12º ano (e aí acho que chumbei por rebeldia - mas não digam à minha mãe).
Tenho saudades da D. Laura e acho que se ela pudesse ver o que se passa com o ensino no Portugal de hoje iria sentir-se tristissima.
 
Partilhado por AnaD às 09:19

Lisboa é a minha cidade, é quem sou e condiciona o que penso e o que sinto, por isso ao partilhar Lisboa, partilho angústias e alegrias, revoltas e compreensão ... no fundo é um local de partilha de sentimentos!
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